Dr. Augusto Pimazoni Netto
Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

A edição de janeiro de 2015 da revista Diabetes Care publica um importante debate sobre um dos grandes dilemas na terapêutica atual do diabetes tipo 2: as sulfonilureias ainda permanecem como uma opção aceitável como terapia adicional à metformina na sequência de abordagens farmacológicas no diabetes tipo 2?

Dois diabetologistas foram convidados a expressar suas opiniões sobre esse tema: o Dr. Martin Julian Abrahamson, do Joslin Diabetes Center, posicionou-se favoravelmente às sulfonilureias, enquanto que o Dr. Saul Genuth, da Case Western Reserve University, assumiu posição oposta, defendendo a ideia de que os novos recursos farmacológicos são mais apropriados e seguros no tratamento do diabetes.

A seguir, um resumo elaborado pelo Dr. William Cefalu, Editor-Chefe da Diabetes Care:

“Desde sua introdução na prática clínica, na década de 1950, as sulfoniluréias foram amplamente prescritas para pacientes com diabetes tipo 2. De todos os outros medicamentos atualmente disponíveis para uso clínico, apenas a metformina tem sido utilizada com mais frequência. No entanto, várias novas classes de fármacos surgiram com a perspectiva de apresentarem igualdade de eficácia de redução da glicemia, aliada a uma maior segurança quando adicionados ao tratamento de pacientes nos quais a metformina em monoterapia não for mais suficiente. Além disso, os argumentos atuais também sugerem que os novos fármacos podem ser superiores às sulfonilureias no que se refere ao risco de complicações cardiovasculares. Embora haja um entendimento universal de que a metformina deva permanecer como um agente farmacológico de primeira linha para aqueles pacientes nos quais a modificação de estilo de vida não seja suficiente para controlar a hiperglicemia, não há consenso sobre qual medicamento deva ser preferencialmente adicionado à metformina. Portanto, dada a controvérsia atual, decidimos publicar os argumentos favoráveis e desfavoráveis às sulfonilureias no debate em questão. Por um lado, o Dr. Abrahamson manifesta-se favoravelmente às sulfonilureias, sugerindo que evitar o uso desta classe como terapêutica adicional à metformina não seria uma proposta adequada, pois há muitos pacientes cujo controle glicêmico poderia melhorar com o uso dessas drogas e com um risco mínimo de eventos adversos. Por outro lado, o Dr. Genuth sugere que não há mais a necessidade de sulfonilureias como terapia preferencial de adição à metformina para aqueles pacientes cujas características clínicas sejam apropriadas e que tenham condições financeiras ou a devida cobertura de entidade oficiais ou privadas para a aquisição de fármacos alternativos atualmente disponíveis.”

Qual é a sua opinião sobre este importante debate?

 

Fontes:

1. Abrahamson MJ. Should Sulfonylureas Remain an Acceptable First-Line Add-on to Metformin Therapy in Patients With Type 2 Diabetes? Yes, They Continue to Serve Us Well! Diabetes Care 2015;38(1):166-9. DOI: 10.2337/dc14-1945.
2. Genuth S. Should Sulfonylureas Remain an Acceptable First-Line Add-on to Metformin Therapy in Patients With Type 2 Diabetes? No, It's Time to Move On! Diabetes Care
2015;38(1):170-5. DOI: 10.2337/dc14-0565

VOLTAR

 

Você não tem permissão para enviar comentários

Comentários  

Jose Antonio Margoto 10-05-2015 21:57
Cada vez mais surgem novos medicamenntos para tratamento do diabetes.
Oitenta por cento da populaçao brasileira não tem recursos para comprar
e consequentement e não serão beneficiados.
Então surge a necessidade de medicamentos como
sulfonilureias, metformim e insulina NPH e Regular permanecerem no mercado

José Antônio Margoto
Lourdes Helena da Silva Machado 30-01-2015 15:36
Como mãe de filha diabética fico imensamente apreensiva pois o que vejo ao meu redor que apesar de ter um bom plano de saúde tem médicos que não atendem pelo plano e ainda quando manifesto a vontade de pagar a consulta sempre é para meses depois da precisão, de modo que tem que melhorar muito a questão burocrática, a questão de pesquisas em procurar outras drogas eficazes e de fácil acesso, porque quem sofre não é quem diagnostica e sim quem tem a doença e precisa de atendimento já. Sei que em MG em Ouro Preto já fazem cirurgia Baypess Cirurgia do diabetes pode ser mais eficaz que tratamento convencional e os índices tem a cada dia melhorado mais em quem se submeteu a cirurgia do que nos tratamentos usuais. Só que nós do Sul estamos na espera que os profissionais gaúchos se mobilizem e se especializem para trazer essas melhorias pra cá.
WILLIAM KARDEC ALVES PEREIRA 18-01-2015 19:07
Atualmente existem drogas excelentes para tratamento do Diabetes tipo 2 - fora sulfonilureias, a grande dificuldade na prática clínica diária, são os custos dessas novas drogas, que impossibilita os pacientes serem beneficiados e cada dia os medicamentos aumentam custos; e nossa saude publica dispoem somente, sulfonilureias, metformina e insulinas NPH e Regular, e o médicos tem que fazer mágica para um controle eficientes.