Na 10º edição da Coluna Verdadeiro ou Falso, SBD esclarece dúvidas frequentes sobre diabetes em bebês

Caracterizado pelo aumento da glicose no sangue, o diabetes é uma doença crônica, que além de apresentar alguns fatores de risco para o seu desenvolvimento, pode afetar qualquer faixa etária. Nos bebês, é possível que seja diagnosticado logo nos primeiros meses de vida, mas por serem muito novos existem dúvidas sobre a manifestação da doença durante os anos. Afinal, os recém-nascidos podem deixar de apresentar o diabetes ao longo da vida?

Segundo a Dra. Mônica Andrade Lima Gabbay, mestre em pediatria e pós doutora em endocrinologia, é possível que os bebês com diabetes neonatal convivam apenas um determinado período de tempo com a doença, mas é necessário que seja feito o diagnóstico, já que o diabetes pode ser dividido em dois grupos: permanente ou transitório. “Em bebês com menos de seis meses de idade o diabetes pode se manifestar dentro de dois grupos: diabetes permanente ou diabetes transitório. Neste tipo de diabetes neonatal ocorrem mutações ou alterações genéticas em que é necessário realizar a pesquisa do DNA para diabetes neonatal para definir qual é a mutação. No caso do diabetes permanente, o indivíduo necessita da insulina por toda a vida ou em outra situação de mutação específica pode ser possível até trocar a insulina por medicação oral. Já no diabetes transitório, o paciente faz uso da insulina a partir do momento do diagnóstico e pode reduzir a quantidade até não precisar mais da medicação, o que geralmente ocorre entre três a dez meses de idade, porém o diabetes transitório pode retornar em 50% dos casos a partir da puberdade.”, afirma.

Os que acreditam que o bebê só nasce com diabetes se a mãe também conviver com a doença estão enganados. Ainda segundo Mônica, grande parte das crianças que apresentam diabetes nascem de mães que não tem a doença. “Existe um risco um pouco maior de diabetes nos filhos que tem o pai com a doença. O diabetes gestacional pode contribuir para o alto ou baixo peso do bebê e inclusive alguns estudos apresentam o risco dessas crianças desenvolverem obesidade no futuro.”, ressalta

O diagnóstico do diabetes neonatal não pode ser feito durante a fase do pré-natal, ou seja, intrauterino, uma vez que a doença só se manifesta entre a primeira e a quarta semana de vida do recém-nascido. Os pais podem identificar os sinais da doença a partir do comportamento do bebê, que apresenta irritabilidade extrema, urina com maior frequência e sede constante. Quando o quadro evolui sem percepção, o diagnóstico pode ser feito a partir da cetoacidose clássica, momento que o bebê apresenta vômitos e dor de barriga.

Após os seis meses, a maioria dos lactentes tem o diabetes tipo 1 clássico,que vem aumentando a incidência em idades mais jovens.

Dra. Mônica ressalta que o tratamento adequado para bebês com diabetes é feito com bomba de infusão em insulina, que consegue enviar microdoses do hormônio para o organismo: “Os bebês com diabetes necessitam de doses muito pequenas de insulina e como a sensibilidade ao hormônio é muito grande, somente a bomba de infusão de insulina consegue liberar a quantidade necessária, que geralmente é 0,025 a 0,1 U.”, enfatiza.

Para os pais, é importante que o principal cuidado seja com a glicemia, que deve ser monitorada para evitar o risco de hipoglicemia, mas também é necessário evitar sua elevação: “Estudos mostram alterações da massa branca do cérebro em crianças que mantiveram a glicemia elevada. A bomba de infusão de insulina apresenta um sensor que mede a glicemia continuamente e avisa quando ela está abaixando. Inclusive, as bombas modernas são capazes de desligar automaticamente quando atingem níveis de glicose com risco de hipoglicemia de modo preventivo. Isso permite uma qualidade de vida muito melhor.”, afirma.

Segundo Mônica, o diabetes em bebês e crianças cresceu na última década e manifestou a importância do diagnóstico, pesquisa do DNA, definição da mutação genética no caso de bebês com diagnóstico abaixo de um ano, especialmente aqueles menores de seis meses e tratamento adequado. “O paciente com acesso a terapia ideal consegue se desenvolver, crescer, ganhar peso e manter uma vida saudável.”, ressalta. Também é importante destacar a parceria com as escolas, que devem receber os pais para aprender a manusear corretamente a bomba de infusão de insulina desde os primeiros dias do bebê na escola.

A SBD recomenda que os bebês com diabetes sigam o tratamento adequado indicado por um médico e que mantenham o acompanhamento para garantir qualidade de vida e desenvolvimento saudável.

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