O diabetes é uma doença que, por vezes, pode gerar muitas dúvidas. Alguns pacientes levam tempo para compreender de fato esta condição e podem acabar se confundindo quanto aos tipos. Afinal, quais as diferenças entre diabetes tipo 1 e tipo 2? Um pode acabar “evoluindo” para o outro ao longo da vida?

Segundo o Dr. Mauro Scharf, vice-presidente da SBD regional Paraná e médico do Centro de Diabetes Curitiba, os dois principais tipos da doença são patologias que se apresentam de formas diferentes, então o diabetes tipo 1 não pode virar diabetes tipo 2 ou vice-versa. “O tipo 1 é uma doença autoimune, que cria anticorpos contra as estruturas celulares do pâncreas, causando a morte das células beta, que cessam a produção da insulina”, explica. “Já o diabetes tipo 2 é uma patologia que ocorre por resistência periférica à ação da insulina, por conta de fatores genéticos associados ao sobrepeso ou sedentarismo – ou seja, o pâncreas não perde a capacidade de produzir a insulina, mas não consegue produzir a quantidade necessária para aquele organismo”, ou a ação da insulina fica prejudicada.

Geralmente, o diabetes tipo 1 afeta crianças, adolescentes e jovens adultos, enquanto o tipo 2 costuma aparecer em indivíduos com mais de 40 anos. “O que ocorre e que talvez possa trazer dúvidas para algumas pessoas é que alguns pacientes com diabetes tipo 1 que desenvolvem obesidade e sedentarismo e podem, além da deficiência de insulina, também apresentar a resistência insulínica. Seu quadro, então, mistura características do diabetes tipo 1 com tipo 2 e gera uma necessidade de aplicar doses muito maiores de insulina” e por vezes a associação de outros medicamentos , comenta.

Outro apontamento do endocrinologista é que existem pacientes que podem desenvolver diabetes tipo 1 muito tardiamente e, por isso, o diagnóstico se confunde com tipo 2. “Trata-se do diabetes tipo LADA – pessoas com esse tipo têm uma velocidade de destruição das células-beta muito menor, por isso são capazes de apresentar alterações glicêmicas de forma mais lenta, por anos, sem precisar da insulina. O aparecimento da doença também acontece fora da faixa etária comum (que costuma ser na infância ou adolescência), e se pode se desenvolver em faixas etárias menos comuns de apresentar o diabetes tipo 1, como por exemplo entre os 40 ou 50 anos ou até mais tarde – e, por isso, confunde-se com diabetes tipo 2”, afirma.

Dessa forma, é necessário que os pacientes recebam acompanhamento médico regular para que recebam os cuidados necessários para o seu tipo de diabetes. O apoio de uma equipe multidisciplinar, para todos os tipos da doença, é essencial e os pacientes devem praticar exercícios físicos regularmente, além de manter uma dieta balanceada.

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