Highlights do SITEC 2015

Foram dois dias e meio imersos em um aprendizado sobre as tecnologias de ponta para o tratamento do diabetes. Um grande volume de informações foi passado pelos 21 palestrantes nacionais e internacionais do I Simpósio Internacional de Novas Tecnologias em Diabetes (SITEC 2015), promovido pela SBD, no mês de março.

O que fazer com tanto conhecimento novo? Para o Dr. Walter Minicucci, presidente da SBD, é preciso entender essa nova área para trabalhar em conjunto com os familiares e diabéticos. “Não perdemos nossos pacientes e sim ganhamos a confiança deles. Você se aproxima do paciente quando ele vê a transparência do tratamento e sabe que você está conectado com as novidades em pesquisa”. Entre as reflexões feitas ao longo do SITEC 2015, várias tentaram imaginar como será o futuro da carreira e do tratamento, entre eles o Dr. Thomas Danne (Alemanha): “Nosso trabalho vai mudar, mas não vai morrer”.

Bombas de Insulina

Um tema que foi abordado em diversas palestras foi a Bomba de Infusão de Insulina. Além da evolução técnica do equipamento, alguns números surpreenderam, logo na primeira palestra do SITEC.

A Dra. Ana Claudia Ramalho (São Paulo) realizou uma pesquisa comparativa, com o apoio da SBD, do uso de bomba na América do Sul, onde mostrou que no Brasil - com cerca de 200 milhões de habitantes -, existem entre 4 e 5 mil pessoas utilizando o equipamento. Já a Dra. Francine Kaufman (Estados Unidos) trouxe os dados americanos. Segundo a especialista, o país, que tem aproximadamente 312 milhões de habitantes, tem 600 mil pessoas em uso de bomba de insulina. A Dra. Francine é uma das maiores especialistas mundiais no tema e responsável pela mudança no panorama do uso de bomba de insulina em crianças no mundo.

Além de mostrar o perfil do paciente, a Dra. Ana Claudia lembrou que a grande maioria não compra o equipamento e só passa a usar mediante ação judicial. O dado é preocupante já que em 74,4% dos que usam, tiveram indicação para uma melhoria da qualidade de vida. Para a Dra. Ana Claudia Ramalho, os resultados são muito bons com pacientes que utilizam a bomba e raros são os casos de abandono do tratamento.

Entretanto, ela explica que a maioria dos pacientes não domina o uso do equipamento. “Eles têm uma Ferrari, mas dirigem como se estivessem em um fusquinha antigo”.  Para a Dra. Ana Claudia, é preciso investir na formação dos endocrinologistas sobre a terapia de bomba dentro da educação médica para que possam orientar seus pacientes.

Várias demonstrações e análises de performance foram incluídas na apresentação sobre avaliação do uso da bomba na prática da atividade física. O Dr. Rodrigo Lamounier (diretor clínico do Centro de Diabetes de Belo Horizonte) mostrou, por exemplo, resultados de monitoramento da Volta da Pampulha. A partir das análises, diversas orientações foram feitas como a variação de carbohidratos a serem consumidos durante as provas; a reação do organismo com hiper e hipoglicemia em diversas provas, como maratonas; e até o local ideal onde colocar o sensor (no antebraço).

Vários atletas estão sendo acompanhados em atividades diferentes, com resultados excelentes no quadro geral e na forma de encarar a vida e o tratamento. As equipes realizam análises nos gráficos antes e pós-atividade. “É importante se reinventar. Mesmo com todos os equipamentos disponíveis, é a pessoa que sempre será o ponto de referência”.

Para o Dr. Ralph Ziegler, do Head of Institution Diabetes Clinic for Children and Adolescents da Alemanha, tranquilizou os profissionais sobre resultados e ajustes com o uso da bomba de insulina. Ele explicou que é preciso errar para ajustar as doses. Trata-se de um procedimento normal e servirá para a orientação correta no decorrer do tratamento. Ele lembra que nada é simples. “Alguém lá em cima nos fez complicados”, brincou.

Só a Tecnologia Resolve?

Ao mesmo tempo em que os lançamentos mais modernos eram apresentados pelos conferencistas, outras questões foram levantadas, como a feita pelo Dr. Freddy Eliaschewitz (Diretor do Centro de Pesquisas Clínicas CPClin e membro do Comitê de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Saúde e da SBEM).

Para o endocrinologista, existem diversos obstáculos. Há muito tempo que as pesquisas tentam encontrar alternativas para o uso da insulina, inclusive as barreiras sociais. “Será que as frustações na aderência ao uso da insulina é que motivam as pesquisas em novas tecnologias?”

A aplicação de insulina hoje é quase indolor, como explicou o médico, mas, mesmo assim, a aderência é difícil. Para o médico, esse é um dos grandes desafios.

Refletir sobre como era o tratamento há anos atrás foi a forma que o Dr. Larry Hirsch (Estados Unidos) encontrou para mostrar o quanto já se avançou nesta área. O médico tem diabetes e toma insulina há 57 anos. Nas imagens apresentadas, a pedra onde precisava afiar a agulha da seringa de insulina. “Na minha vida foram 80.500 injeções de insulina. Eu sei o que é viver com diabetes”. O médico relatou as dificuldades que passou e a importância da evolução que vivencia hoje.

Pâncreas Artificial

Uma das últimas apresentações do SITEC foi feita pelo Dr. Thomas Danne (Children’s Hospital “Auf der Bult”, Hannover Medical School, Alemanha) que mostrou as experiências com o pâncreas artificial.

O médico pertence a um grupo, com representantes de vários países (Alemanha, Israel e Slovênia), e apresentou os resultados de testes realizados em Israel. A pesquisa foi feita em um acampamento – Dream Project – com o "pâncreas artificial", que é formado por um sensor de glicose subcutâneo off-the-shelf, que monitoriza o nível de glicose e uma bomba de insulina. O sensor e a bomba são ligados a um computador, onde softwares determinam a quantidade de insulina que deve ser liberada.

O DREAM 4 está com 24 pacientes e foi feito só em Israel porque é o país com menos dificuldades para a obtenção da aprovação da pesquisa. O médico mencionou que equipamento ainda é grande. Atualmente tem o tamanho de um tablet, mas o objetivo é chegar ao formato de um smartphone.

O estudo já tem mais de 10 anos, segundo o Dr. Márcio Krakauer, e é a junção do medidor de glicose (sensor) com a insulina e um controlador, que é o cérebro do equipamento. “As experiências apresentadas foram feitas em um acampamento, onde todos os notebooks com os adolescentes se comunicavam com uma central – ligados via cabo – e os médicos recebiam informações via wifi”, detalhou.

Segundo o Dr. Krakauer, da equipe de organização do SITEC 2015, a proposta é que os aparelhos trabalhem sozinhos, independente do ser humano, controlado pelo equipamento. O algoritmo ainda é grande e só a partir da evolução das pesquisas o tamanho poderá ser reduzido.

A jornada é longa, como disse o Dr. Minicucci, mas o pâncreas artificial chegou e “está batendo à nossa porta”. “A proposta do SITEC 2015 foi proporcionar a experiência de sairmos mais ricos em informação para ajudar a melhorar, ainda mais, o tratamento do diabetes no Brasil e na América Latina.”

Para a Dra. Denise Reis Franco, uma das integrantes da comissão organizadora do evento, é preciso passar do estágio de se assustar com essas novas descobertas, pois ainda existe um longo caminho para trilhar. “Não sabemos o que vem por aí, mas é fantástico ver o que está acontecendo. Queremos diminuir as complicações e que o sonho deles seja realizado. O que nós lutamos é para melhorar a qualidade de vida dos diabéticos.”

 

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Veja também:

SITEC 2015: Atualização ou Ousadia?


http://www.diabetes.org.br/sitec-2015

 

Avanços dos Equipamentos no Tratamento do Diabetes


http://www.diabetes.org.br/avancos-dos-equipamentos-no-tratamento-do-diabetes

Reportagem: Cristina Dissat - DC Press

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