Como o estresse pode agravar ou desencadear o diabetes?

Dra. Andressa Heimbecher Soares
Endocrinologista
Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.

A ideia de que o estado emocional leva ao desenvolvimento do diabetes existe desde o século 17. Foi o médico inglês Thomas Willis que viveu entre 1621 e 1675 o primeiro relatar que algumas pessoas quando passavam por estados de tristeza ou estresse profundos desenvolviam diabetes.

Nos dias de hoje, com os avanços na Medicina, vários estudos tem tentado responder esta pergunta: o estresse emocional influencia no desenvolvimento do diabetes?

Antes, precisamos entender o que é o estresse. Hoje esta palavra tem sido usada de forma geral para descrever qualquer tipo de sobrecarga emocional ou física, desde mais leve até mais intensa. Por exemplo, um dia em que houve excesso de trabalho na maioria das vezes é definido como estressante. Mas o estresse “real” na verdade é uma resposta do nosso organismo quando somos submetidos a ameaças, que é o conjunto de fatores chamados “agentes estressores”. Para ficar mais fácil de entender, é preciso voltar para a idade das cavernas, quando nossos ancestrais diante dos perigos (como predadores – tigres, leões...) aprenderam a se defender: a resposta de lutar ou fugir.

Em pleno século XXI, não temos predadores, mas ainda temos os agentes estressores, que incluem por exemplo, a perda de uma pessoa querida, traumas psicológicos, problemas de saúde, enfim, situações desagradáveis que acontecem durante a vida das pessoas.

O nosso corpo, quando submetido ao estresse, responde passando por várias fases diferentes. A primeira fase consiste de uma resposta de alarme (resposta de lutar ou fugir), na segunda fase há a resistência ao estresse e a última fase é a de exaustão. Existe também a situação de antecipação ao estresse, que acontece quando o corpo responde antes a uma determinada situação, sem que necessariamente ela tenha acontecido, mas que igualmente causa os sintomas do estresse.

O que predomina no estresse são os sintomas de alarme que vão levar à alterações comportamentais e físicas. As alterações comportamentais podem ser de humor: baixa alta estima, ansiedade, depressão, sensação de irritabilidade ou isolamento. Os sintomas físicos incluem tremores, dores musculares, diarreia ou constipação, náuseas e taquicardia. O estresse também pode alterar os hábitos da pessoa: como comer mais ou comer menos e dormir mais ou menos. Já na fase de exaustão, o corpo começa a não responder mais ao estresse e a depressão pode surgir ou se agravar.

Vários estudos tem procurado relacionar o estresse ao início do diabetes. Em um deles, publicado na revista médica Journal of Internal Medicine em 2009, pesquisadores dinamarqueses avaliaram 7066 homens e mulheres por períodos de 2 anos em média. Os dados mostraram que homens que se definiam como mais estressados apresentaram 2 vezes mais diabetes que os menos estressados. Já nas mulheres, ter ou não estresse não aumentou o risco de diabetes. Outro dado importante é que no grupo dos estressados, havia mais tabagistas, sedentários e usuários de bebidas alcoólicas.

O estresse emocional aumenta o risco de desenvolver diabetes por várias razões. A primeira razão tem causa hormonal: o estresse crônico aumenta o nível do hormônio cortisol, que ocasiona dentre outras coisas o aumento da gordura abdominal e que por sua vez aumenta o risco de diabetes.

A segunda razão é justamente através do comportamento da pessoa. Existe uma clara relação entre o estresse emocional e hábitos de vida ruins, como alimentação errada (mais comida ou comida de qualidade ruim), sedentarismo, cigarro e alcoolismo. Os estudos indicam um caminho em comum: aquelas pessoas com altos níveis de estresse também desenvolvem hábitos comportamentais danosos que somados aumentam o risco de uma pessoa desenvolver diabetes.

A conclusão que chegamos até o presente momento é que o estresse crônico, aquele mantido por longos períodos, pode estar relacionado ao desenvolvimento de diabetes. Já o efeito do estresse mais agudo, como a perda de um ente querido, ou um evento traumático não tem ainda associação claramente estabelecida.

O recado importante é que o diabetes apresenta várias causas, e o conjunto destas causas é que vai determinar se uma pessoa irá desenvolver a doença ou não. Sedentarismo, obesidade, aumento de gordura abdominal, erros alimentares e estresse por longos períodos podem levar ao diabetes. Como combater? Melhorando qualidade de vida e tendo acompanhamento profissional adequado para identificar e tratar o estresse, seja com seu clínico geral, psicólogo ou terapeuta. A prevenção é de longe o melhor remédio!

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Comentários  

Marlene Teixeira 03-08-2015 16:44
Boa tarde!
Meu netinho de 07 aninhos tem Diabetes a +- 1 ano, eu adorei a reportagem foi muito importante para mim.Eu lei tudo sobre diabetes, para tentar na medida do possível ajudar minha filha a cuidar do Israel é muito difícil, manter a dieta dele perto do irmãozinho João Alexandre, gêmeos c/ ele, porque ainda não entende direito e acha q pode comer as mesmas coisas do irmão.Enfim é uma luta só.Mas temos muita Fé em Deus e sei q ele nos dará sempre forças, para continuar cuidando da nossa criança.
Parabéns a Dra, Andressa Heimbecher Endocrinologist a por todas as informações.
Moro na cidade de Paraíba do Sul- Estado do Rio de Janeiro.
E-mail-

Abraços e Beijos.
Marlene.
Franklin José Ribeiro Braga Junior 12-03-2015 17:10
Dra. Andressa, sou portador de diabetes e gostaria de saber de que pelo motivo de trabalhar a 30 anos na função de inspetor penitenciário sendo uma profissão altamente estressante pode ter sido o motivo de contrair a diabetes.Poriss o peço aproveitando este espaço para comentário.Suge stão de como provar que a causa da diabetes foi estresse de trabalho.

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