Nível de Conhecimento do Diabetes Mellitus por Profissionais da Área de Educação

Introdução: A população mundial diabética já ultrapassa 380 milhões de pessoas, podendo chegar a 471 milhões em 2035. A doença está tendo maior intensidade nos países em desenvolvimento e afetando cada vez mais a população jovem (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2015). O principal objetivo desta pesquisa foi avaliar ambientes escolares, a fim de verificar se os mesmos estão preparados para receberem crianças diabéticas.

Metodologia: A pesquisa foi realizada através de coleta de dados em quatro escolas de ensino fundamental da cidade de Ilhéus no sul da Bahia. Duas das escolas pesquisadas são municipais, descritas na pesquisa como A e B, e duas estaduais, descritas como C e D. O trabalho foi encaminhado ao comitê de ética em pesquisa e só após a aprovação que foi iniciada a coleta dos dados. Foi aplicado um questionário com vinte e seis questões. Nove questões obtinham pontuação para a classificação do nível de conhecimento do diabetes pelos profissionais da área de educação, tais questões totalizavam vinte e cinco pontos e estes pontos classificava o conhecimento como impróprio, regular, bom e ótimo sobre o diabetes. As demais questões avaliavam a estrutura escolar e o apoio em ambas esferas governamentais quanto ao incentivo ao profissional educador na capitação de conhecimento das necessidades especiais dos alunos, todavia, essas outras questões não apresentavam pontuação.  

Resultados: Constatou-se que a maior categoria de profissionais entrevistados foi a de professores (47%). Quando indagados sobre a definição da doença, todas as escolas obtiveram porcentagens acima de 90%, confirmando que era uma patologia decorrente de alteração na glicemia sanguínea. Quanto aos significados dos termos hipoglicemia e hiperglicemia, todas as escolas obtiveram pontuações acima de 60%, afirmando que os termos significavam redução e aumento da glicose sanguínea respectivamente. A melhor pontuação foi da escola D estadual com 100% dos acertos e a menor pontuação foi da escola B municipal com 64%, ainda na escola B, 36% afirmaram ser aumento de sal no sangue e redução do açúcar. Sobre o cuidado com a alimentação, 100% das escolas A, C, D e 93% da escola B, disseram que os portadores de diabetes precisam ter cuidado com a alimentação e principalmente com os alimentos com muito teor de açúcar. Verificou-se que 7% da escola B, relatou que os portadores de diabetes precisam ter cuidado com a alimentação e principalmente aos alimentos ricos em sal e cálcio. Ao questionar os participantes da pesquisa sobre a utilização do hormônio no tratamento de crise hipoglicemica, 100% da escola A, 91% da D, 82% da C e 79% da B, afirmaram ser o hormônio insulina, 18% da C, e 14% da B, afirmaram ser o glucagon, 9% da D e 7% da B, relataram ser os hormônios T3 e T4. Logo após essa questão foi questionado aos participantes se era verdadeiro ou falso do hormônio insulina reduzir a glicose sanguínea, 93% da escola B, 91% da D, 82% da A e 55% da C, afirmaram ser verdadeiro. Avaliando os erros e os acertos das questões que identificavam o nível de conhecimento do diabetes, 33% da escola B, 25% da D, 16% da C, 13% da A, obtiveram conhecimento ótimo da diabetes. 53% da escola A e B, 46% da C e 44% da D, conseguiram conhecimento bom. 23% da C, 7% da A e B, conseguiram classificar o conhecimento como regular. 31% da D, 27% da A, 15% da C e 7% da B, obtiveram conhecimento impróprio da diabetes. Esses dados são valiosos ao questionar quanto as escolas estarem preparadas ou não para receberem crianças que são portadoras de alguma necessidade especial. 

Avaliando a estrutura escolar e o incentivo dos governos na atualização dos profissionais da área de educação quanto as necessidades especiais dos alunos, foram questionados aos entrevistados da existência de cursos sobre a atualização dos profissionais nas possíveis patologias dos alunos, 54% da escola C, 40% da A, 37% da D e 27% da B, informaram que não sabiam se existia, 44% da D, 40% da B, 38% da C e 13% da A, afirmaram não existir. Referente a essa abordagem, foram indagados aos entrevistados se a escola possuía uma alimentação específica para crianças com diabetes, 80% da escola A, 69% da escola D, 62% da escola C, e 47% da B, confirmaram não ter um planejamento específico. Foi avaliado se as escolas possuíam enfermaria, enfermeiro ou profissional da saúde, todas as escolas obtiveram porcentagens acima de 80% afirmando não existir. Também foram questionados aos entrevistados se existia uma liberdade por parte dos funcionários para modificação do cardápio ofertado no dia caso ele não esteja adequado às necessidades de determinados alunos, 73% da escola A, 56% da D, 39% da C e 20% da B, afirmaram que a diretoria teria liberdade de fazer essa modificação, seguido de 47% da escola B, 31% da escola C, 25% da D e 13% da A, afirmaram que a merendeira poderia fazer essa modificação.  

Conclusão: A pesquisa foi de grande importância para o meio educacional e nutricional. Pois, mostrou a necessidade de implantação de políticas públicas dos diversos setores governamentais nas escolas estaduais e municipais, referenciando a capacitação dos profissionais da área da educação quanto ao diabetes mellitus e outras patologias. Apesar de demonstrado nos resultados que os profissionais das escolas possuem na sua maioria um conhecimento bom quanto ao diabetes, identificou-se dificuldades de conhecimento quanto as peculiaridades da diabetes. Percebe-se também a falta de estrutura adequada nesses ambientes, como a falta de uma enfermaria e de um profissional da saúde, para vir a suprir as necessidades de qualquer indivíduo que venha a necessitar, principalmente as crianças que são portadoras de necessidades e cuidados especiais como as diabéticas, que precisam verificar sua glicemia e até mesmo aplicar doses de insulina ou glucagon no período escolar. Portanto, verifica-se a necessidade de maior esclarecimento dos profissionais da área de educação quanto ao diabetes mellitus e suas particularidades e investimentos nas estruturas escolares, para que esses ambientes se tornem ainda mais seguros para as crianças portadoras do diabetes e de outras patologias.

Referência: SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Rio de Janeiro: AC Farmacêutica, 2015. 390p

Informações do Autor

Lívia de Matos Santos
CRN 9 16233/P - MG

Adriana Fontes Valverde
CRN 5 2614 - BA

 

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Comentários  

Carol 25-01-2016 13:45
Excelente pesquisa, realmente foi de grande importância para o meio educacional e nutricional.

http://juventude.gov.br/carolsantiago/blog

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