A obesidade faz bem para a indústria da alimentação. Fumo, açúcar e sal merecem uma nova tributação.

Dr. Reginaldo Albuquerque

  • Professor da UnB (1967-1981)
  • Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
  • Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
  • Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

O 11 de outubro é celebrado mundialmente como o dia mundial de combate a obesidade.

É uma oportunidade única para as trocas de experiências entre os vários países. Uma vez superada a fome como problema estrutural, a agenda para os próximos anos concentra esforços na redução do consumo de alimentos processados e ultra processados.

Neste ano, a International Obesity Taskforce (IOTF), enviou uma carta de congratulação ao Governo brasileiro, pela adoção de medidas para a prevenção da obesidade. Entre elas estão: a regulamentação do marketing de alimentos, restrições na alimentação escolar e o monitoramento das tendências de obesidade.

A entidade considera que Brasil e Inglaterra lideram a lista de países que mais lutam contra a obesidade. De acordo com o texto, “se outros países seguirem a direção tomada pelo Brasil, teremos muitas boas notícias para apresentar nas próximas conferências sobre a prevenção da obesidade”

Apesar desse entusiasmo as estatísticas mostram que os resultados obtidos ainda são bem precários, conforme mostram os dados do Reino Unido no gráfico abaixo.

O alvo inicial foi o açúcar essencialmente aquele acrescentado, além do que já está no alimento. A OMS recomenda 22,5 g para uma criança de 4 a 5 anos. É preocupante ver toda essa quantidade de açúcar que não vem da lactose nem da frutose chegar às crianças via suco de caixinha e biscoitos.

A proposta de redução para este ano foi de um corte de 5% na quantidade do açúcar adicionado aos refrigerantes. A meta para os próximos 4 anos é de 20%. Só para lembrar: uma lata de Coca Cola hoje tem 36g de açúcar. Aquele(a) que tomar 2 latas por dia, durante um ano, terá ingerido aproximadamente 22 kg de açúcar (figura 1). Uma senhora quantidade.

A proposta inglesa de uma redução voluntária do conteúdo de açúcar das bebidas, como refrigerantes, foi considerada fraca. A Associação Médica Britânica não acredita que planos baseados no voluntarismo deem bons resultados. Um ministro considerou-a ambiciosa. Uma deputada apontou o perigo dos lobistas das grandes indústrias influenciarem nas decisões.

A indústria do açúcar diz que o problema não é só o açúcar e que a política deve ser holística, ou seja, incluir outros alimentos e que as empresas de bebidas já reduziram 16% entre 2012 e 2016. Holístico para elas significa incluir todos os alimentos que contenham açúcar.

No Brasil, as sociedades científicas, principalmente as de endocrinologia, pediatria, obesidade, cardiologia, nutrição e nutrologia – entre outras – vêm enfrentando estes problemas. Várias tem sido as reuniões no Congresso Nacional, inclusive a realização de várias audiências públicas, onde se discute uma taxação sobre o uso do açúcar nos alimentos. No mundo, só Hungria e México adotaram esta medida e os seus primeiros resultados deverão ser publicados no próximo ano.

Aqui, já temos um grande sucesso com o programa de diminuição do fumo, que reduziu para 14% o consumo na população. Valeu, uma medida obrigatória, proibindo o fumo em lugares fechados, além da exclusão de propagandas nas TVS. Que venham as medidas legislativas mandatórias quanto ao açúcar, sal e gorduras. Esta será uma das ações mais importantes na saúde pública brasileira. Menos obesos, menos diabetes, menos câncer, menos custos e mais recursos para as ações básicas de saúde.

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