São os Acampamentos de Diabetes Efetivos?

Dr. Mark Barone

  • Doutor em Fisiologia Humana (ICB/USP)
  • Especialista em Educação em Diabetes (ADJ-IDF-SBD, UNIP e IDC)
  • Autor dos livros “Tenho diabetes tipo 1, e agora?” e “Diabetes: conheça mais e viva melhor”
  • Autor do blog www.tenhodiabetestipo1eagora.blogspot.com

Em artigo de revisão publicado na revista científica Diabetes Research and Clinical Practice, da IDF, dois especialista brasileiros, membros da equipe de coordenação do Acampamento ADJ/UNIFESP/NR (Marco Vivolo e Mark Barone), e um estadunidense, atual vice-presidente da Associação Internacional dos Acampamentos de Diabetes, DECA, e ex-Diretor do Camp Joslin (Paul Madden), realizam o maior levantamento de estudos e publicações sobre Acampamentos Educativos de Diabetes já feito e chegam a conclusões inéditas.

 

Conforme debatido no artigo, é difícil definir Acampamentos de Diabetes. Isso devido ao fato de existirem acampamentos com diferentes durações, formatos e objetivos. Há, por exemplo, Day Camps (acampamentos com a duração de apenas um dia), assim como acampamentos que duram muitos dias. Entre esse últimos há os residential camps, nos quais a criança dorme no local do acampamento, e outros nos quais as crianças passam a noite em suas casas e voltam diariamente ao acampamento. São atividades que acontecem geralmente nas férias, em que, além da recreação e dos esportes, crianças, adolescentes ou mesmo adultos têm a oportunidade de conhecer pares que também têm diabetes. Com isso, os participantes se identificam, compartilham vivencias e histórias e aprendem com outros mais experientes, como os monitores, por exemplo. Outra característica desses eventos é a participação em tempo integral de uma equipe de saúde especializada em diabetes, que, em parceria com os participantes, aprende e ensina muito e durante todo o evento.

 

No Brasil há duas atividades com essa característica, o Acampamento ADJ/UNIFESP/NR, um dos mais tradicionais da América Latina, já em seu 36o ano; e o Diabetes Weekend, que já acontece há quase 20 anos (www.diabetes.med.br). Conheça os Acampamentos de Diabetes em atividade na América Latina em: http://goo.gl/VrCszS 

 

Os autores apontam o impacto desse tipo de atividade em termos de alterações fisiológicas (controle glicêmico, pressórico, lipídico e marcadores de filtração renal), psicossociais, aquisição de conhecimentos e de habilidades, e suas consequências a curto, médio e longo prazo.

 

O artigo traz, também, informações nunca antes levantadas sobre o histórico dos acampamentos de diabetes que, para a surpresa de todos, datam de antes da descoberta da insulina. Além disso, apresenta estimativa atualizada do número de eventos desse tipo no mundo e sua ampla distribuição geográfica, que abrange todos os continentes.

 

São evidenciadas, também, as limitações dessa atividade, assim como maneiras de supera-las. Para os interessados em organizar ou aperfeiçoar Acampamentos de Diabetes, destacam-se a necessidade de: continuidade da participação em atividades de educação em diabetes após o acampamento, com inclusão de membros da família do acampante; garantia de acesso aos medicamentos e insumos; número de participações (quanto mais vezes a criança participa, maiores as chances de apresentar benefícios sustentáveis); equipe bem treinada para aproveitar ao máximo diferentes oportunidades durante o acampamento e facilitar desenvolvimento da autonomia na criança; e programação intencional voltada a atingir os objetivos, sem que o acampamento perca sua essência de atividade recreativa.

 

Para conhecer na íntegra o artigo “Are Diabetes Camps Effective?”, visite: http://goo.gl/vTUFKX (acesso gratuito até 17 de abril de 201

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