Suicídio, depressão e diabetes: existe alguma relação?

Dra. Claudia Pieper

  • Doutora em Endocrinologia
  • Co-Coordenadora do Departamento de Doenças Psicossociais e Transtornos Alimentares da SBD
  • Co-Coordenadora do Curso de Pós Graduação em Endocrinologia PUC-Rio / IEDE
  • Membro da Academy for Eating Disorders (AED)

De acordo com a World Health Organization (WHO), a morte pelo suicídio é uma preocupação crescente de saúde pública a nível mundial. São cerca de 800 mil pessoas por ano, o que significa que uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos.  Foi responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, tornando-se a 18ª causa em 2016, sendo que 79% destes suicídios ocorreram em países de baixa e média renda.

 

Está também apontada  como a segunda causa principal de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. Pesquisas  vem demonstrando que a depressão entre os  adolescentes vem aumentando (31% para o sexo masculino e 50% para o feminino)  e que o suicídio é sempre um risco durante o curso de um episódio depressivo maior.

 

Depressão e Suicídio

Depressão e suicídio estão extremamente correlacionados, sendo que existem estimativas de  que até 60% das pessoas que cometem suicídio apresentam depressão grave.  A ideação suicida e tentativas múltiplas de suicídio costumam preceder o ato de cometer o suicídio.

 

Depressão e Diabetes

Com relação ao diabetes,  estudos têm demonstrado que os sintomas depressivos e o transtorno depressivo maior (TDM) são duas vezes mais prevalentes em indivíduos com diabetes tipo 2.

 

Constatou-se também que a depressão está associada à baixa qualidade de vida, pior auto-cuidado com o diabetes e do controle glicêmico e um risco aumentado de desenvolver complicações relacionadas ao diabetes . Dado o maior gasto com assistência médica [8] e o aumento da taxa de  mortalidade associado à depressão, as diretrizes clínicas recomendem agora que todos os pacientes com diabetes sejam submetidos a rastreamentos de depressão.

 

Diabetes e risco de suicídio:

Ainda não está claro, no entanto, se a presença de diabetes, aumentaria o risco de suicídio. Estudo de Meta-análise recente (2016) realizada por Wang e colaboradores, foi  realizado com um total de 3.075.214 participantes e 3038 eventos de mortes por suicídio, A análise estatística   demonstrou que  o diabetes não estava associado ao risco de mortes por suicídio, com heterogeneidade significativa entre os estudos observados.

 

No entanto, em uma  pesquisa cuidadosa realizada por Pompili (publicada em 2014), no MedLine, ExcerptaMedica, PsycLit, PsycInfo e Index Medicus para identificar todos os artigos sobre o tema para o período de 1970 a 2013 escritos em inglês, indicou que os pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) apresentam  um risco aumentado de suicídio.  Os achados reforçam  a recomendação de que uma avaliação de risco de suicídio de pacientes com DM1 deve fazer parte da avaliação clínica de rotina.

 

Sinais de alerta de Depressão e  risco de Suicídio entre os jovens

Uma atenção especial deve ser dada com relação à  vulnerabilidade apresentada pelos  adolescentes e jovens e o  número crescente de suicídios, não esquecendo também daqueles que apresentam diabetes tipo 1 e que lidam diariamente  com os desafios para o controle da glicemia.  

 

Existem várias situações pelos  quais os adolescentes passam  que podem contribuir para um episódio depressivo maior. Bullying, uso exagerado de mídias sociais, fatores  econômicos, discórdia familiar, trauma e exigências escolares e relacionadas ao próprio diabetes, são potenciais fatores estressores para os adolescentes.

 

Mudanças de comportamento são frequentemente vistas como um rito de passagem ou “angústia adolescente”, mas é importante entender os fatores de risco para o suicídio de adolescentes. . A seguir estão alguns possíveis sinais de alerta de ideação suicida:

 

  • Falar sobre se sentir inútil, desamparado e / ou sem esperança
  • Mudanças nos padrões de sono, incluindo insônia e hipersonia
  • Mudanças nos hábitos alimentares, incluindo perda de apetite e excessos
  • Comportamento arriscado ou autodestrutivo
  • Mudanças de comportamento, incluindo falta de concentração e mudanças no desempenho escolar
  • Isolamento de colegas e / ou familiares
  • Falta de esperança para o futuro - sentir que as coisas não podem melhorar, etc
  • Adolescentes sem apoio social e familiar
  • História familiar de suicídio.

 

É fundamental que a família, amigos, profissionais de saúde e educadores estejam atentos para que a ajuda possa ser prontamente estabelecida evitando maior número de casos de morte por suicídio

          

Referências bibliográficas:

  1. http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/ Centers for Disease Control and Prevention, “QuickStats: Suicide Rates*,† for Teens Aged 15–19 Years, by Sex — United States, 1975–2015,” Morbidity and Mortality Weekly Report, August 4, 2017 / 66(30); 816. Bostwick JM, Pankratz VS. Affective Disorders and Suicide Risk: A Reexamination. American Journal of Psychiatry. 2000;157(12):1925-1932. doi:10.1176/appi.ajp.157.12.1925.
  2. Curtin SC, Warner M, Hedegaard H. Increase in Suicide in the United States, 1999-2014. NCHS Data Brief No. 241, April 2016.
  3. Ng CWM, How CH, Ng YP. Depression in primary care: assessing suicide risk. Singapore Medical Journal. 2017;58(2):72-77. doi:10.11622/smedj.2017006.
  4. Nouwen A, Winkley K, Twisk C, Lloyd E, Peyrot K, Pouwer F. Type 2 diabetes mellitus as a risk factor for the onset of depression: a systematic review and meta-analysis. Diabetologia.2010;53(12);2480-2486.
  5. Lustman PJ, Anderson RJ, Freedland KE, de Groot M, Carney RM, Clouse RE Depression and poor glycemic control: a meta-analytic review of the literature. Diabetes Care. 2000.; 23:934–942
  6. Wang Y, Tang S, Xu S, Weng S, Liu Z. Association between diabetes and risk of suicide death: A meta-analysis of 3 million participants. Comprehensive Psychiathry. 2016; (71): 11-16
  7. Pompili M, Forte A, Lester D, Erbuto D, Rodevi F, Innamorat M, Amore M, Girardi P. Suicide risk in type 1 diabetes mellitus: A systematic review. Journal of Psychosomatic Research.2014.; 76(5):352-360.

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