A Medicina e a Fé

Bibiana Prada de Camargo Colenci

Dra. Bibiana Prada de Camargo Colenci

  • Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia
  • Mestre em Endocrinologia
  • Coordenadora do ambulatório de Diabetes Mellitus tipo 1 Adulto da Faculdade de Medicina de Botucatu - SP - UNESP

Em pleno século 21 a medicina está redescobrindo a espiritualidade. Crer e ter fé já foi visto como santidade, depois passou por um período cético onde a crença era vista como superstição. Os primeiros “ médicos “ foram os sacerdotes, xamas, curandeiros na época em que as doenças eram incompreensíveis e relacionadas às vontades divinas. Com o desenvolvimento da ciência moderna, a crença ficou restrita às religiões e afastada do tratamento dito como alopático.

Espiritualidade é diferente de religião , e também não devemos confundir espiritualidade com a pratica do espiritismo: segundo Harold Koenig, psiquiatra e professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, a religiosidade é a busca pessoal pelo entendimento de respostas à questões sobre a vida, seu significado e relações com o sagrado e transcendente, podendo ou não estar relacionado à propostas religiosas.

Já a GEMCA (Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular) define a espiritualidade como um conjunto de valores morais, mentais e emocionais, que norteia pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida e de relacionamento intra e interpessoal. Desta forma, posso desenvolver minha espiritualidade praticando yoga, meditação, tai chi chuan, Johrei, ou  frequentando uma igreja, um templo ou uma sinagoga .

Agora a ciência consegue estudar a espiritualidade e comprovar seus benefícios na saúde. O que os estudos mostram é que pessoas que desenvolvem a espiritualidade ou religiosidade são fisicamente mais saudáveis, pois costumam ter uma vida mais equilibrada, como por exemplo, evitando uso de drogas e álcool, tendo parceiros sexuais estáveis, alimentando-se melhor.

Além disso, se participam de uma comunidade, têm maior apoio social e tendem a ser mais positivas, com menos sintomas depressivos. Desta forma, essas pessoas têm menos predisposição a desenvolverem doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão arterial. Também é importante ressaltar que  essas pessoas possuem atitude mais otimista frente a um câncer  ou a uma doença crônica como insuficiência cardíaca, o que leva a um desfecho favorável , ou seja, um melhor prognóstico e menor sofrimento.

Diversos estudos científicos atuais comprovam que o poder do perdão, da resiliência, da superação e de ter esperança atua sobre o funcionamento do sistema nervoso e do sistema endócrino. Com isso ocorre a diminuição da liberação de adrenalina e cortisol, o que é benéfico pois protege a pessoa contra infecções e muitas doenças relacionadas ao estresse, como por exemplo a hipertensão arterial. Por isso, diversos estudos estimulam pessoas com doenças crônicas, incluindo o diabetes mellitus, a praticarem yoga, meditação ou alguma atividade religiosa de forma sistemática e contínua para diminuir o impacto dessas doenças no corpo.

A re-união da medicina com  a espiritualidade nos faz avaliar o indivíduo como um todo, onde a ciência e a crença se complementam sem desrespeitar a pratica medica ou a religiosidade do paciente. 

A partir de agora, na minha prescrição medica, além dos remédios, estimulo à atividade física e dieta, irei prescrever o que minha avó costumava falar: “cultive sua espiritualidade, viverá melhor e mais feliz”.

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A Medicina e a Fé

05 Novembro 2018

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