Insulina em pílula: o que o futuro nos reserva?

Dra. Andressa Heimbecher Soares

  • Endocrinologista
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
  • Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.


Diabéticos tipo 1 e parte dos diabéticos tipo 2 dependem da insulina – em aplicação por injeção subcutânea – como tratamento para controlar seus níveis de açúcar no sangue. É desconfortável, porém extremamente eficaz. A insulina injetável para o tratamento do diabetes tem evoluído de forma muito rápida nos últimos anos. Desde formas ultralentas de duração que podem simular o perfil de funcionamento do pâncreas em sua secreção basal – de base – da insulina em mais de 24 horas, até formas ultrarrápidas, que demoram apenas 5 minutos para começar a ter efeito após injetada e simulam a secreção de insulina no pâncreas às refeições.

A busca de insulinas não injetáveis não é nova. Desde a insulina inalável – conhecida como Exubera® – que ganhou comercialização no ano de 2006 com a aprovação do FDA americano e foi retirada do mercado em 2007, havia várias notícias de insulinas nas mais diversas formas sendo desenvolvidas (porém sem grande sucesso). A grande dificuldade de se desenvolver uma insulina que pudesse ser ingerida está no fato do estômago – por ser extremamente ácido – desativar e digerir qualquer tentativa de se colocar uma certa de quantidade de insulina dentro de um comprimido. Até agora.

Recentemente especialistas da Harvard John A. Paulson School de Engenharia e Ciências Aplicadas em Cambridge, nos Estados Unidos, descreveram uma estratégia para blindar a passagem da pílula de insulina pelo estômago. Foi criado um complexo revestimento de comprimidos para proteger a insulina do ácido gástrico e das enzimas do intestino delgado e também ser capaz de penetrar as barreiras protetoras intestinais: tecnicamente chamada pílula de revestimento entérico.

E será a pílula de insulina uma realidade?

Até o momento e segundo informações divulgadas, as pesquisas em animais ainda não se iniciaram. E há um longo caminho para que um medicamento em testes em animais chegue ao mercado. Esse processo deve ser cauteloso e detalhado, para que não se coloquem em risco as pessoas que irão fazer uso do medicamento. Estima-se que nos Estados Unidos um medicamento experimental demore cerca de 12 anos para chegar às prateleiras, isso se ele se provar eficaz nos testes. E esse é um outro ponto a ser considerado.

Segundo os pesquisadores, a insulina em pílulas deverá ser ingerida junto aos alimentos. Dessa forma, a insulina em pílulas deverá simular a ação das insulinas rápidas e ultrarrápidas disponíveis no mercado. Enquanto as pesquisas avançam, aguardamos noticias ansiosamente!

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