Síndrome metabólica: do ciclo vicioso ao ciclo virtuoso

Dra. Andressa Heimbecher Soares

  • Endocrinologista
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
  • Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.

Afinal, você sabe o que ela é? É uma doença? São várias? Bem, na verdade você precisa pensar na Síndrome Metabólica como um conjunto de condições que unidas umas às outras vão levar ao aumento de risco de problemas cardíacos, acidentes vasculares cerebrais ou de diabetes no futuro.  Ela é a união de alteração na glicose, problemas de colesterol, pressão alta e cintura abdominal aumentada; e todas essas alterações de saúde isoladamente vão determinar um certo  risco, mas juntas, determinam um risco maior.


Para fazer o diagnóstico,  as Sociedades Médicas organizaram os critérios, para facilitar e diferenciar os pacientes com e sem a Síndrome. A IDF – Federação internacional de Diabetes, por exemplo, define a Síndrome Metabólica como a presença de obesidade central e mais 2 critérios dentre 4 possíveis: (1) nível de triglicérides elevados, (2) Colesterol HDL abaixo de 40 mg/dL, (3) pressão sistólica acima de 130 mmHg ou diastólica acima de 85 mmHg ou pressão em tratamento e finalmente (4) glicemia de jejum maior ou igual a 100 mg/dL ou diagnóstico prévio de Diabetes. 


O grande foco, quando falamos em Síndrome Metabólica é de fato, a obesidade central. O acúmulo de gordura na região superior do corpo gera o aumento da cintura abdominal e a questão aqui é que geralmente este acúmulo é de gordura visceral, ou seja, da gordura dentro do abdome, mais danosa. As células de gordura, os adipócitos viscerais ao estocarem gordura no seu interior, em uma quantidade perto do seu limite ou no seu limite, liberam substâncias inflamatórias. Estas substâncias inflamatórias circulam na corrente sanguínea e aumentam o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, Diabetes e pressão alta. Além isso, as células de gordura viscerais tem maior tendência de apresentar resistência insulínica, e a resistência insulínica é o estado que pode preceder o Diabetes tipo 2; é nesse ponto que o paciente com síndrome metabólica passa a entrar em um certo ciclo vicioso, onde risco gera mais risco. 


A IDF recomenda que a cintura abdominal seja menor que 94 cm em homens e menos que 80 cm em mulheres; para descendentes de povos asiáticos, adota-se cinturas menores de 90 cm para homens e 80 para mulheres. No entanto, é possível que o paciente tenha síndrome metabólica com cintura abdominal dentro do tamanho normal se adotarmos outro critério de classificação da síndrome metabólica, proposto pelo Painel Nacional de Controle de Colesterol dos Estados Unidos (NCEP-ATPIII) - lá, de uma lista de 5 possíveis fatores de risco, caso o paciente tenha 3, já possui o diagnóstico. Cada médico pode decidir qual classificação adotar a depender da sua experiência clínica, mas o mais importante é que os exames sejam feitos.


O organismo e por consequência o metabolismo são o conjunto de vários processos integrados, onde um é consequência do outro. Quando pensamos em corrigir a síndrome metabólica e a reduzir a gordura visceral, também estamos falando de melhorar hábitos e isso passa pelo controle do peso também. Perder ou controlar o peso ajuda a reduzir cintura abdominal e leva o nosso corpo a reduzir a resistência insulínica e a síndrome metabólica. É como um efeito cascata, revertendo o ciclo vicioso, a partir do momento em que melhoramos um elo dessa cadeia de eventos, os outros tendem a também apresentar melhores resultados: o ciclo virtuoso que desejamos para nossos pacientes.

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes