SIEEX - Simpósio Integrado de Endocrinologia do Exercício 2019

SIEEX - Simpósio Integrado de Endocrinologia do Exercício 2019

Organizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com apoio da SBD, o Simpósio Integrado de Endocrinologia do Exercício (SIEEX 2019) foi realizado em 22 e 23 de março no Hotel Blue Tree Premium Morumbi, em São Paulo, e trouxe palestras com abordagens inovadoras e temas diversos, que falam não somente sobre os benefícios do exercício físico para o tratamento e prevenção de doenças crônicas, degenerativas e metabólicas, mas também como a prática de atividades pode interferir no metabolismo.

O evento foi coordenado pela presidente da SBD, Dra. Hermelinda Pedrosa, pelo presidente da SBEM, Dr. Rodrigo Oliveira Moreira e pelo coordenador do Departamento de Diabetes, Exercício e Esporte da SBD, Dr. Clayton Luiz Dornelles Macedo. O primeiro dia foi repleto de intensa atualização científica e discussões sobre temas como avaliação da composição corporal, obesidade sarcopênica, cirurgia bariátrica, atletas transgênero e outros temas atrelados à prática de exercícios.

Na ocasião, a SBD reforçou a mudança do nome de seu Departamento de Atividades Físicas, que, alinhado a seus principais objetivos, passa a se chamar Departamento de Diabetes, Exercício e Esporte. "Queremos disseminar a ideia de que o exercício físico e os esportes são grandes aliados na prevenção e tratamento do diabetes", afirma a Dra. Hermelinda.

O SIEEX 2019 contou com um módulo exclusivo a respeito de diabetes, mas o tema foi citado em várias palestras. Uma delas foi a do Dr. Tales de Carvalho, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que falou sobre reabilitação cardiometabólica e a importância de se proteger o paciente por meio do exercício físico e afirmou que o diabetes é uma doença que tem que, obrigatoriamente, ser tratada com a ajuda dos exercícios. “A pessoa com diabetes tem particularidades para a realização de atividades, porém também é importante que ela não pense somente no exercício físico, mas também em ser ativa no dia a dia. Realizar caminhadas após as refeições é um começo, por exemplo”, comenta.

O módulo SBEM/SBD de diabetes mellitus e exercício físico discutiu os principais aspectos em termos de atividade física focada, exclusivamente, em pacientes com diabetes. O Dr. Márcio Krakauer iniciou com uma exposição intitulada “Que tipo de exercício é melhor para o controle metabólico?”, onde abordou desde os pilares para o tratamento do diabetes, os principais tipos de exercício a serem realizados, até novidades como o uso de Glucagon. “O tratamento deve sempre ser individualizado, levando em consideração possíveis complicações do diabetes. A resposta da pergunta que intitula a aula é: o melhor tipo de exercício para o paciente é aquele que ele, de fato, fizer. O exercício físico é essencial para o tratamento”, explica Krakauer.

Denise Franco, coordenadora dos departamentos da SBD, discutiu a importância da monitorização glicêmica. “O controle glicêmico é essencial para evitar a hiperglicemia pós-atividade física, a hipoglicemia durante o exercício e, muitas vezes, até mesmo 24 horas após tê-lo praticado”.

Suplementação energética no exercício físico foi o tema da palestra proferida por Maristela Strufaldi, membro do Departamento de Nutrição de Diabetes, na qual falou sobre as recomendações de carboidratos e o uso de suplementos por pacientes com diabetes. “Ainda precisam ser realizados muitos estudos nesse sentido, mas para utilizar suplementação, é preciso observar uma série de fatores, como função renal e, principalmente, a individualidade do paciente, já que ele é o protagonista”, afirma.

O módulo foi finalizado com exposição da Dra. Hermelinda Pedrosa sobre Neuropatia Diabética e exercício físico: screening e triagem. “Minha palestra se referiu a uma das complicações que tem grande impacto em relação ao exercício, no sentido de alterar a resposta fisiológica que se encontra e altera a frequência cardíaca e a pressão arterial, que é a Neuropatia Autonômica Cardiovascular. Infelizmente, é uma complicação bastante negligenciada, porque não é investigada de forma adequada. Outra negligência é referente ao exame neurológico dos pés das pessoas com diabetes: mais de dois terços das pessoas com tipo 1 e tipo 2 nunca tiveram seus pés examinados na vida, o que é extremamente grave já que metade das pessoas com neuropatia podem não ter sintomas, então perdem o alarme da dor”, frisa Dra. Hermelinda.

O primeiro dia encerrou-se com um debate sobre o poder do esporte para mudar vidas de pacientes com diabetes. Bruno Helman, eleito Young Leader 2019-2021 pela SBD, contou sua história sobre ser um paciente com diabetes que é apaixonado por viagens e esportes, e como se tornou um ativista. Sua vivência com a doença mudou a partir da participação no T1D Challenge em 2016, iniciativa que reúne pacientes com diabetes para realizar desafios esportivos. “Desde a minha experiência na Islândia, entendi a importância de trocar experiências com outras pessoas que têm diabetes. Um novo mundo se abriu, depois disso eu passei a encarar o diabetes como minha missão: é meu compromisso me engajar e lutar por aquelas pessoas que, infelizmente, não gozam da mesma oportunidade que eu”, conclui.

O segundo dia do Simpósio Integrado de Endocrinologia do Exercício (SIEEX 2019), organizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que aconteceu neste sábado (23), contou com palestras mediadas por médicos e especialistas que abordaram temas voltados ao esporte e exercícios físicos.

Suplementação, esteroides anabolizantes, sedentarismo, condicionamento físico e risco cardiovascular na obesidade e no diabetes foram alguns dos temas trazidos para o SIEEX 2019.

Na mesa redonda sobre Esteroides anabolizantes e similares (EAS) no esporte e em fitness, o doping no esporte foi discutido pelo Dr. José Kawazoe Lazzoli, cardiologista e médico do esporte, que destacou conceitos básicos para endocrinologistas que atendem atletas de alto rendimento: “O doping se baseia em um tripé: o primeiro é melhorar o desempenho do atleta de forma artificial, o segundo é ser prejudicial à sua saúde e o terceiro, ser contra os valores do esporte. Se desses três critérios, tivermos pelo menos dois, essa substância pode ser considerada na inclusão para a lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping”, explicou.

Insulina, esteroides, hormônio do crescimento, diuréticos e betabloqueadores para esportes específicos são algumas dessas substâncias. Segundo Lazzoli, a indicação da insulina para uso terapêutico em atletas que têm diabetes tipo 1 pode ser perfeitamente factível, mas é necessária uma autorização da Autoridade Brasileira Controle de Dopagem (ABCD). Todos os julgamentos da comissão da ABCD são baseados na indicação para o uso da substância com base em evidências científicas e com a condição de que não existam alternativas terapêuticas para o tratamento de determinada condição clínica.

Karen Pachón, médica especialista em Medicina do Esporte e da Atividade Física pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), discutiu a importância do conhecimento sobre o uso de esteroides anabolizantes e similares. “Temos que assumir que muitas pessoas estão usando essas drogas em altas doses e, muitas vezes, misturadas com outras substâncias, com o objetivo de aumentar o desempenho físico e para estética, mas sem indicação e orientação. Seus efeitos são imprevisíveis e absurdos. Não existe nenhuma prescrição médica real e confiável sobre o uso. Nosso objetivo é reunir um grupo de especialistas que leve conhecimento sobre o uso dessas substâncias. As pessoas precisam saber onde procurar as informações e as consequências que o uso de esteroides anabolizantes pode trazer”.

Com o tema Os efeitos colaterais do uso de EAS realmente ocorrem?, o Dr. Clayton Macedo falou que a ideia principal do programa BOMBATÔFORA#, apoiado pela SBD, é fazer a prevenção primária, educando e orientando os indivíduos que tenham pretensão de utilizar esteroides anabolizantes. “Buscamos alertar sobre os efeitos colaterais. A efetividade prática dessas medicações é altíssima. Claro que tem o lado do usuário e o lado da medicina, que é baseado em evidências, mas nada justifica um adolescente de 16 anos fazer uso de esteroides anabolizantes para ganho de massa muscular. Os efeitos colaterais são múltiplos, graves e podem levar a morte.”

Hipogonadismo também foi colocado em pauta como o efeito colateral mais frequente do uso de EAS, causando a deficiência na produção de hormônios sexuais. O especialista ainda abordou que as chances de lesões acontecerem devido ao uso dos esteroides são nove vezes maiores. “Se o indivíduo for atleta, a vida será encurtada porque apesar de ficar mais forte e com maior desempenho físico, ele corre o risco de desenvolver mais lesões”.

A endocrinologista e metabologista Andréa Fioretti foi a responsável por palestrar sobre o Uso de esteroides anabolizantes na mulher, que estão usando doses elevadas de testosterona e outras substâncias. “A prevalência do uso de esteroides anabolizantes nas mulheres é extremamente alta, chegando em 13,3%. Muitas vezes elas são incentivadas pelo pai ou namorado para garantir uma condição física melhor”, afirmou.

Os efeitos colaterais do uso de EAS nas mulheres pode incluir resistência à insulina, alteração menstrual, infertilidade, atrofia mamária, clitorimegalia e disfonia irreversível. “Os efeitos colaterais são imprevisíveis, múltiplos, graves e dependem da resposta individual de cada droga, dose, duração do ciclo e organismo da mulher”, frisou.

Andréia ainda ressaltou que o Colégio Americano de Ginecologia destaca o uso de esteroides anabolizantes e similares como patologia, já que causam dependência e exigem prevenção e tratamentos adequados.

A segunda parte do módulo foi conduzida pelo Dr. Clayton Macedo que discutiu sobre o músculo como tecido endócrino e sua importância na regulação metabólica e no envio de informações para o organismo. “Quando contraído pelo exercício físico, o músculo libera substâncias que agem como hormônios participando da comunicação célula com célula e órgão com órgão à distância. Portanto, o músculo é uma glândula e o quanto ele funciona é o que determina o fato de termos maior ou menor saúde metabólica.”

O atual presidente da SBEM, Rodrigo Moreira, foi o responsável por encerrar as palestras abordando o tema Sedentarismo, condicionamento físico e risco cardiovascular no diabetes, que mostrou a importância do exercício físico como intervenção capaz de reduzir doenças cardiovasculares e controle de colesterol, glicose e pressão.

O Dr Rodrigo ressaltou que “”Busquei mostrar as diretrizes canadenses de exercício físico e diabetes que têm como grandes mensagens: estimular o paciente a fazer 150 minutos de atividade física de intensidade moderada de aeróbico por semana, definir metas de exercícios e evitar passar muito tempo sentado. Ande! Acho que talvez essa seja a grande mensagem: Mexa-se”, explicou.

O endocrinologista e membro diretor da SBEM, Dr. Neuton Dornelas Gomes, discursou sobre a Comissão de Ética e Defesa Profissional, da grande entrada da prescrição médica por profissionais não médicos da insulina como esteroide anabolizante. “O uso da insulina é essencial para o tratamento do paciente com diabetes. A sociedade tem de se conscientizar de que os pacientes não podem ficar sem esse hormônio , mas não usá-lo sem necessidade, como anabolizante.”

O último dia do evento foi encerrado com debates sobre ética, shape e fitness e discussões de casos médicos que abordam a prática de exercício físico e uso de esteroides anabolizantes. A presidente da SBD, Dra. Hermelinda Pedrosa concluiu sua participação ressaltando a parceria da SBD com a SBEM e reforçando que exercício e esporte devem ser encarados como uma prescrição médica.

 

 
 

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