SBD chancela o Consenso de Tempo no Alvo (Time in range, TIR)

Colaboração de editoração científica:

  • Dra. Denise Franco (Coordenadora Geral de Departamentos da SBD)
  • Dra. Monica Gabbay (Coordenadora de Departamento de Diabetes Tipo 1)
  • Dr. André Vianna (membro do SITEC)

Aval:

  • SITEC – Presidente Dr. Walter Minicucci
  • BRASTEC – Coordenadora Dra. Ana Claudia Ramalho

Em junho deste ano foram publicadas, na edição mensal de Diabetes Care, American Diabetes Association (https://doi.org/10.2337/dci19-0028), em artigo de Battelino et al., as recomendações do Consenso sobre o Tempo no Alvo (Time in Range, TIR), referentes aos níveis de glicose, que ocorreram preliminarmente em Berlim por ocasião do Congresso de Tecnologias Avançadas no Tratamento para Diabetes (ATTD, fevereiro de 2019).

Nesse congresso, foram discutidas as porcentagens do TIR, recomendadas para as pessoas com diabetes que utilizam o monitoramento contínuo de glicose (CGM). Elas foram endossadas pela Associação Americana de Diabetes (ADA), Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos (AACE), Associação Americana de Educadores de Diabetes (AADE), Associação Europeia para o Estudo de Diabetes (EASD), Fundação de Enfermeiras Europeias em Diabetes (FEND), Sociedade Internacional de Pediatria e Adolescente Diabetes (ISPAD), Fundação para Pesquisa em Diabetes Juvenil Tipo 1 (JDRF), e Sociedade de Endocrinologia Pediátrica (SEP).

A SBD também considera importante o tema, sobre a utilização do TIR, como ferramenta complementar de monitorização do controle, além da HbA1c, no cuidado do paciente com diabetes. Esse tema, inclusive, já será incluído nas novas Diretrizes da SBD 2019-2020, cujo lançamento está previsto para o XXII Congresso da SBD, em Natal, entre 16-18 de outubro deste ano.

Dessa forma, em nome da Diretoria da Gestão SBD 2018-2019, foi solicitada à Coordenação Geral de Departamentos da SBD, ao Departamento de DM Tipo 1 e Coordenação do SITEC, a estruturação das situações clínicas e recomendações de TIR, para que a SBD também faça parte das entidades científicas internacionais que já chancelam a aplicação à prática diária.

Sem dúvidas, além de representar um novo momento no controle da glicose, o Tempo no Alvo emerge como uma modalidade motivadora dos pacientes com potencial de redundar em maior aderência na busca de controle efetivo da glicose, sobretudo à medida que se torne mais acessível a um número maior de pessoas com diabetes tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2), que necessitem de um controle mais rigoroso e frequente. Os pontos de corte ratificados pela SBD, diante de situações especiais, estão abaixo delineados:

Como recomendação para a maioria dos pacientes com DM1 e DM2 ficaram estabelecidos, como indicadores de um bom controle glicêmico:

  • > 70% do tempo no alvo entre 70-180mg/dL (3.9-10.0 mmol/L)
  • < 4% do tempo < 70 mg/dL (< 3.9 mmol/L)
  • < 1% do tempo < 54 mg/dL (< 3.0 mmol/L)
  • < 25% do tempo > 180 mg/dL (> 10.0 mmol/L)
  • < 5% do tempo > 250 mg/dL (> 13.9 mmol/L)

Para pacientes fragilizados e com risco maior de hipoglicemia:

  • > 50% do tempo no alvo entre 70-180 mg/dL (3.9-10.0 mmol/L)
  • < 1% do tempo < 70 mg/dL (< 3.9 mmol/L)
  • < 10% do tempo > 250 mg/dL (> 13.9 mmol/L)
  • Para gestantes:

  • > 70% do tempo entre no alvo entre 63-140 mg/dL (3.5-7.8 mmol/L)
  • < 4% do tempo < 63 mg/dL (< 3.5 mmol/L)
  • < 1% do tempo entre < 54 mg/dL (< 3.0 mmol/L)
  • < 25% do tempo acima de > 140 mg/dL (>7.8 mmol/L).
  • Essas recomendações vão ao encontro dos achados de estudos em DM1 e DM2, que associam um maior TIR a menor incidência de complicações crônicas, inclusive com comparação à HbA1c. Através dessa nova métrica, com a possível popularização futura de CGM, a SBD entende que a ferramenta poderá, de fato, ser incorporada à rotina prática para auxiliar as intervenções clínicas visando alcançar o bom controle do diabetes.

    Vale ressaltar que discussões estão no radar científico sobre eventual cenário de TIR descartar o uso de HbA1c. Esse aspecto foi já apontado no ATTD 2019 e recente publicação de Hirsh et al https://doi.org/10.2337/dci18-0040. Não se dispõe, ainda, de dados prospectivos longos para que TIR descarte o uso de HbA1c e seu papel de avaliação do dano tecidual de glicotoxicidade, consolidado em vários estudos prospectivos entre pacientes com DM1 e DM2.

    *ADA, AACE, AADE, EASD, FEND, ISPAD, JDRF, PES (American Diabetes Association, American Association of Clinical Endocrinologists, American Association of Educators in Diabetes, European Association for the Study of Diabetes, Foundation of European Nurses in Diabetes, International Society of Pediatric and Adolescent Diabetes, Juvenile Diabetes Research Foundation of Type 1, Pediatric Endocrine Society

    Referências:

    Battelino T, Danne T, Bergenstal RM, Amiel SA, Beck R et al. Clinical Targets for Continuous Glucose Monitoring Data Interpretation: Recommendations From the International Consensus on Time in Range. Diabetes Care 2019 Jun; dci190028. https://doi.org/10.2337/dci19-0028.

    Time in Range at #ATTD2019. March 5, 2019. In Conferences, Devices, Diabetes, HbA1c, technology.

    Danne T, Nimri R, Batelino T, Bergenstal RM4, Close KL5et al. International Consensus on use of Continuous Glucose Monitoring Diabetes Care 2017; 40: 1631-1640.

    Beck R. Time in range as an outcome in clinical trials. Off J Adv Technol Treat Diabetes. 2019;21(S1):A-2.

    Robert A. Vigersky and Chantal McMahon. The Relationship of Hemoglobin A1C to Time-in-Range in Patients with Diabetes. DIABETES TECHNOLOGY & THERAPEUTICS 2019; 21: 1-5.

    Hirsch IB, Sherr JL, Hood KK. Connecting the Dots: Validation of Time in Range Metrics With Microvascular Outcomes. Diabetes Care 2019 Mar; 42(3): 345-348. https://doi.org/10.2337/dci18-0040

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