Regional da SBD realiza simpósio de atualização no Paraná

Com o tema "Lipo-hipertrofia e Lipodistrofia", a Regional da SBD no Paraná realizou nos dias 9 e 10 de maio, na Associação Médica do Paraná, um Simpósio de Atualização da entidade. A presidência da atividade ficou a cargo da Dra. Rosangela Roginski Réa e a coordenação geral do evento do Dr. Edgar Niclewicz.

O tema vem preocupando especialistas e a abordagem com os profissionais de saúde se torna cada vez mais fundamental para a adoção de condutas de tratamento e acompanhamento. Entre as apresentações, explicações sobre seringas, agulhas, técnicas de injeção de insulina e lipodistrofia, realizada pelo Dr. Marcio Krakauer, coordenador do Núcleo Digital da SBD.

De acordo com o especialista, o tópico é pouco tratado pelos profissionais, o que de fato, não deveria. “Este assunto é negligenciado por muitos colegas de profissão, que acham que esse assunto deve ser tratado apenas por enfermeiros, e muitas vezes deixam de orientar seus pacientes sobre a escolha das seringas e canetas, tamanho da agulha, a forma correta de aplicar, a técnica da injeção e o rodízio da aplicação. Todos esses aspectos são importantes, pois quando manejados da forma correta evitam hipoglicemias”, declarou. O endocrinologista também mencionou o rodízio dos locais de aplicação e a reutilização das agulhas, que pode provocar a lipo-hipertrofia. O local fica endurecido, não absorve bem a insulina e acaba necessitando maior dose.

O Dr. Mauro Scharf falou sobre o uso de bombas de Insulina e da Lipoatrofias Raras, com um foco semelhante ao apresentado pelo Dr. Krakauer, porém direcionados para usuários de bombas de insulina. A diferença é que a cânula, onde entra a agulha e a insulina, permanece no corpo por dois a três dias, no mesmo local que pode ocasionar um trauma no tecido onde a insulina é injetada. Ocorre um risco de aumento de lipodistrofias. O especialista comentou que têm sido observado um aumento do número da lipoatrofias, que, ao contrário da hipertrofia, é a falta do tecido gorduroso no local da aplicação. Com o aumento do número de usuários de bomba de insulina a questão merece mais atenção da equipe médica.

A última palestra do dia foi ministrada pela Dra. Ana Antunes, que abordou questões relacionadas à “lipodistrofia generalizada”. A médica patologista falou sobre um novo medicamento, que deve entrar em breve no mercado brasileiro. Trata-se de um análago da leptina. É recente, com lançamento pela empresa há cerca de três anos, e em uma situação pouco frequente no Brasil. Os pacientes que necessitam da medicação giram em torno de 250 casos no país. Segundo a médica, a pessoa nasce sem o tecido gorduroso, que é defeito genético e  já identificado, que acarreta uma série de complicações estéticas. Do ponto de vista metabólico aumenta a gordura no fígado, nos músculos, aumento dos triglicérides, risco de pancreatite,  resistência a insulina. O medicamento apresentado recupera a leptina. Não cura a doença, mas melhora os aspectos metabólicos deste problema. O grande problema é o custo. Em torno de 3 mil dólares a cada aplicação, a cada três dias, resultando em um gasto de cerca de 30 mil dólares por mês.

A frequência da lipo-hipertrofia chega a 50 a 60% das pessoas com diabetes que aplicam insulina. É um problema frequente, muito sério, e infelizmente com pouco diagnóstico. Os especialistas alertam que é essencial um exame clínico no atendimento dos pacientes.

 

Por Cristina Dissat

 

VOLTAR