Daniela Lopes Gomes

  • Nutricionista Clínica e Membro do Departamento de Nutrição (gestão 2020 – 2021)
  • Doutora em Nutrição Humana (UnB)
  • Orientadora no Programa de Pós-graduação em Neurociências e Comportamento (PPGNC / UFPA)
  • Mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento (UFPA)
  • Especialista em Nutrição Clínica e em Obesidade e Emagrecimento
  • Professora do Instituto de Ciências da Saúde da UFPA
  • Orientadora no Programa de Pós-graduação em Neurociências e Comportamento (PPGNC / UFPA) e no Programa de Pós-graduação em Atenção e Estudo Clínico no Diabetes (PPG DIABETES / UFPA)

Os polióis, também chamados de poliálcoois ou álcool de açúcar, são carboidratos que têm sido utilizados como substitutos da sacarose (açúcar de mesa). Eles podem ser monossacarídeos (eritritol, manitol, sorbitol e xilitol) e dissacarídeos (lactitol, maltitol e isomalte). Os polióis apresentam valor calórico e poder adoçante um pouco abaixo do açúcar, porém precisam ser usados em maiores quantidades para obter o efeito tecnológico desejado 1,2.

Atualmente, o xilitol e o eritritol, encontrados em alguns tipos de plantas e frutas, têm sido os polióis mais estudados e utilizados pela população. O xilitol e o eritritol são amplamente utilizados em uma variedade de produtos alimentícios e de higiene bucal como substitutos do açúcar 3. A atenção que o xilitol e o eritritol tem atraído se deve aos efeitos benéficos encontrados em algumas pesquisas recentes 4,5.

A ingestão aguda de eritritol e xilitol foi associada à liberação dos hormônios CCK e GLP-1 e retardou o esvaziamento gástrico, contribuindo para o prolongamento da saciedade. Quanto à liberação de insulina, o uso de eritritol não promoveu alteração e o xilitol causou discreto aumento 4.

Em uma revisão sistemática recente sobre os efeitos metabólicos do uso de xilitol e eritritol, encontrou evidências de efeitos relevantes antidiabéticos e antiobesogênicos. Os possíveis mecanismos hipotetizados foram a redução do esvaziamento gástrico e aumento do trânsito intestinal, a inibição da atividade enzimática na digestão de carboidratos, o aumento da captação de glicose muscular, ação antioxidante nas ilhotas pancreáticas do pâncreas e estímulo de hormônios intestinais, como o GLP-1, aumentando a secreção e a sensibilidade à insulina e diminuindo a secreção de glucagon 5.

No entanto, apesar dos benefícios evidenciados, existem algumas desvantagens como o custo elevado, a dificuldade em encontrar esses polióis em algumas localidades, o xilitol parece ter impacto na glicemia apesar de ser menor que o açúcar, o eritritol tem menor poder adoçante sendo necessária maior quantidade para obter o dulçor esperado e ambos podem causar desconforto gastrointestinal em algumas pessoas, como flatulência e cólicas 3.

Vale ressaltar ainda que o uso de edulcorantes não é considerado essencial, apesar de auxiliar na redução do consumo de calorias e carboidratos, na flexibilidade do plano alimentar e, portanto, no convívio social. Além disso, é importante estimular os pacientes a adaptar o paladar ao sabor natural dos alimentos, preferindo sempre alimentos in natura e minimamente processados como base de uma alimentação saudável.

REFERÊNCIAS:

1. Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres; Agência Nacional de Vigilância Sanitária Adoçantes [Internet]. [acesso em 15 maio 2019]. Disponível em: http://abiad.org.br/wp-content/uploads/2017/02/cartilha-adocantes-abiad.pdf

2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2019-2020). São Paulo: AC Farmacêutica, 2019.

3. Mooradian, AD; Smith, M; Tokuda,M. The role of artificial and natural sweeteners in reducing the consumption of table sugar: A narrative review. Clinical Nutrition ESPEN, 18: 1-8, 2017. DOI: 10.1016/j.clnesp.2017.01.004. Acesso em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2405457717300232

4. Wölnerhanssen BK, Cajacob L, Keller N, et al. Gut hormone secretion, gastric emptying, and glycemic responses to erythritol and xylitol in lean and obese subjects. Am J Physiol Endocrinol Metab. 2016;310(11):E1053-E1061. doi:10.1152/ajpendo.00037.2016

5. Wölnerhanssen, Bettina K., et al. Metabolic effects of the natural sweeteners xylitol and erythritol: A comprehensive review. Critical reviews in food science and nutrition 60.12 (2020): 1986-1998.