Dia Mundial da Obesidade: a relação entre a obesidade e o diabetes

Dr. Bruno Halpern

  • Membro do Departamento de Diabetes e Obesidade da Sociedade Brasileira de Diabetes
  • Vice-Presidente da Federação Latino-Americana de Obesidade (FLASO)
  • Primeiro Secretário da Associação Brasileira de Estudo de Obesidade (ABESO)
  • Editor chefe da Revista "Evidências em Obesidade"
  • Membro do Comitê Editorial do periódico "Archives of Endocrinology and Metabolism"
  • Chefe do Grupo de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho
  • Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM

No dia 11/10, se comemora o Dia Mundial da Obesidade, como uma tentativa de se alertar para o crescente aumento no número de pessoas com excesso de peso no mundo todo e também como uma lembrança que a obesidade é muito mais do que um problema puramente estético, estando associada com menor expectativa de vida e diversas doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, diversos tipos de cânceres, entre outras.

O diagnóstico de obesidade ainda leva em consideração o Índice de Massa Corporal, calculado pelo Peso/altura². Indivíduos com IMC acima de 30 kg/m² são considerados com obesidade, e entre 25-30 com sobrepeso.  Porém, é importante ressaltar que há pessoas com IMCs não tão elevados e alterações de exames de sangue e saúde mais intensos do que outras mais pesadas, geralmente pois essa gordura se concentra principalmente na região abdominal. Portanto, não apenas o IMC deve ser levado em conta ao se diagnosticar e tratar uma pessoa com excesso de peso, mas também a composição corporal, a distribuição de gordura e exames laboratoriais.

Especificamente em relação ao Diabetes Mellitus do tipo 2, pode-se dizer que o ganho de peso é o principal fator de risco ambiental para o desenvolvimento da doença (que conta também com aspectos genéticos) e que a prevalência da doença aumenta claramente com o aumento de peso da população. Porém, mesmo em pessoas não obesas, o diabetes tipo 2 pode surgir caso haja um ganho de peso importante, pois esse excesso de gordura pode se depositar no fígado,  no pâncreas, no músculo e em outros órgãos, atrapalhando a ação da insulina (hormônio que controla a glicemia no sangue) e fazendo com que os níveis de glicemia se elevem.

Mas há boas notícias. Sabe-se que cada quilo de peso perdido, em pessoas com pré-diabetes, reduzem em 16% o risco de aparecimento da doença, assim como o exercício físico pode ter um papel importantíssimo. Mais ainda, em pessoas com diabetes de diagnóstico recente, uma mudança intensiva do estilo de vida visando redução calórica e perda de peso pode deixar a doença sob controle, mesmo sem medicações, conforme um estudo publicado recente no Reino Unido demonstrou.

De toda forma, cada vez se reconhece mais a importância de estratégias de perda de peso em pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade, sejam elas comportamentais, medicamentosas ou até, em casos de pacientes com obesidade mais grave (IMC acima de 35 kg/m²), cirúrgicas.

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