Hepatite C: faça o teste rápido e evite complicações

A hepatite C é uma doença silenciosa, com transmissão parenteral. Ela não apresenta sintomas e pode evoluir para cirrose ou carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer primário do fígado – ou seja, o indivíduo só descobre quando apresenta uma doença grave em estágio avançado. O que poucos sabem, porém, é que a hepatite C tem uma associação muito forte com o diabetes.

A hepatite C pode não apresentar sintomas ou em mais da metade dos casos manifestações extra-hepáticas dermatológicas, reumatológicas e endócrinas que não são atribuídas ao vírus C, particularmente diabetes tipo 2.

De acordo com o Dr. Paulo Bittencourt, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), o risco de um indivíduo com diabetes mellitus tipo 2 ter hepatite C é de cerca de 2 a 3 vezes maior do que a população que não tem diabetes. “O vírus C pode levar a uma piora da resistência insulínica e levar ao desenvolvimento de diabetes. Quando o indivíduo tem hepatite C e diabetes, o risco de progressão para cirrose e carcinoma hepatocelular é maior”, explica.

Estima-se que cerca de 500 a 700 mil indivíduos tenham hepatite C no Brasil e não saibam. Para detectar a doença, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o teste rápido para o vírus C, além do teste anti-HCV, disponível em qualquer laboratório de análises clínicas. “O Ministério da Saúde recomenda testagem prioritária para qualquer brasileiro com idade maior do que 40 anos, e também que tenha diabetes mellitus tipo 2. Lembrando que o teste não precisa ser realizado todos os anos, basta que seja feito uma vez na vida”, afirma.

Caso seja detectado o vírus C, o tratamento para esse tipo de hepatite é bastante simples e oferece chances de cura superiores a 95%: trata-se de um tratamento oral, muitas vezes com uma pílula ao dia, dada geralmente por apenas 3 meses, apresentando poucos efeitos colaterais. “Nós temos a chance, agora, de eliminar a doença, de acordo com a meta estipulada pela OMS, até 2030. Se tivermos apoio, principalmente da sociedade civil e especialidades médicas, como temos tido da Sociedade Brasileira de Diabetes, na realização da testagem, conseguiremos redução de 90% de casos novos e tratamento de 80% dos indivíduos infectados nos próximos 10 anos. O tratamento é altamente eficaz e inteiramente disponibilizado pelo SUS”.

Campanha de Combate às Hepatites

O mês de julho, denominado “julho amarelo”, foi inteiramente dedicado à Campanha de Combate das Hepatites Virais. Porém, a campanha não se restringe apenas ao mês: o teste fica disponível na rede básica da saúde e é completamente gratuito.

A SBD, junto à Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e à Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), incentiva que os endocrinologistas solicitem o teste de hepatite C. Incentivar é o primeiro passo para evitar as complicações: o tratamento da hepatite C para quem tem diabetes é altamente eficaz, pode melhorar o controle do diabetes, auxiliar em uma regressão da doença, reduzir o risco de aterosclerose em longo prazo e reduzir o risco de desenvolvimento de cirrose hepática e carcinoma hepatocelular.

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