Descrição dos dados de mortalidade e morbidade de diabetes mellitus, entre 30 a 59 anos, 2011, Santo Ângelo, RS

Em nosso país, a diabetes e a hipertensão, são consideradas a primeira causa de hospitalizações e mortalidade, de amputações de membros inferiores e de grande parte dos diagnósticos de pacientes com insuficiência renal crônica que são submetidos à diálise (BRASIL, 2006).

INTRODUÇÃO:

Em nosso país, a diabetes e a hipertensão, são consideradas a primeira causa de hospitalizações e mortalidade, de amputações de membros inferiores e de grande parte dos diagnósticos de pacientes com insuficiência renal crônica que são submetidos à diálise (BRASIL, 2006). A diabete e suas complicações correspondem a 4 milhões de óbitos por ano,  equivalente a 9% da mortalidade mundial total (BRASIL, 2006). A morbimortalidade precoce por diabetes mellitus, que atinge as pessoas na vida produtiva, principalmente em países pobres e em desenvolvimento, sobrecarrega a previdência social e colabora para uma aposentadoria prematura (BRASIL, 2006). O desenvolvimento da doença não ocorre de forma repentina, existe um conjunto de fatores que estão relacionados à sua progressão. Estes são conhecidos como fatores de risco e, são: idade, sexo/gênero e etnia, fatores socioeconômicos, obesidade, antecedentes familiares, sedentarismo, dietas hipercalóricas e a não adesão ao tratamento. Visto isso, conhecer os dados de morbidade e mortalidade de diabetes mellitus, especialmente da faixa etária de 30 a 59 anos, permitirá estabelecer o risco de ocorrência deste evento, nesta faixa etária, no ano de 2011, no município de Santo Ângelo e na 12° CRS. O município de Santo Ângelo é o alvo deste estudo, por ser o local de desenvolvimento dos trabalhos do PET vigilância em Saúde (Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde). O município também é a sede da 12º Coordenadoria Regional de Saúde (12ºCRS), esta composta por 24 municípios, sendo eles: Pirapó, Rolador, Garruchos, São Miguel, Santo Ângelo, Entre – Ijuís, Dezesseis de Novembro, Sete de Setembro, Roque Gonzales, Vitória das Missões, Santo Antônio, São Borja, São Luiz Gonzaga, Bossoroca, São Nicolau, Caibaté, Cerro Largo, Eugênio de Castro, Guarani das Missões, Mato Queimado, Porto Xavier, Salvador das Missões, São Pedro do Butiá, Ubiretama.

OBJETIVO:

Descrever os dados de morbidade e mortalidade de diabetes mellitus do município de Santo Ângelo comparados com os dados da 12º CRS.

METODOLOGIA:

Os dados foram coletados do DATASUS, no período de agosto a dezembro de 2013. Para calcular a taxa de mortalidade, foi aplicada a fórmula: nº de óbitos no ano / população 30-59 anos do ano de 2011 * 100.000. E, para calcular a taxa de morbidade foi aplicada a fórmula: nº de internações no ano / população 30-59 anos do ano de 2011 * 10.000. A taxa/coeficiente é definida como a relação entre o número de eventos reais e os que poderiam acontecer, sendo a única medida que informa quanto ao risco de ocorrência de um evento (MANUAL DA CBVE). A população de 30 – 59 anos foi elencada por ser uma faixa intermediária e economicamente ativa. Esta população também é alvo de pactuação dos indicadores da atenção básica.

RESULTADOS:

No ano de 2011, a população do município de Santo Ângelo e da 12° Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), correspondente a esta faixa etária, respectivamente, eram de 30.969 e 115.980 habitantes. A mortalidade no município de Santo Ângelo apresentou a taxa de 9,7 por 100.000 habitantes de 30 a 59 anos, que corresponde a 3 óbitos. Na 12° CRS, a taxa foi de 15,5 por 100.000 habitantes de 30 a 59 anos, que representa 18 óbitos (QUADRO 1).A morbidade no município de Santo Ângelo apresentou a taxa de 6,5 por 10.000 habitantes de 30 a 59 anos, que corresponde a 20 internações. Na 12° CRS, a taxa foi de 17,1 por 10.000 habitantes de 30 a 59 anos, que representa 198 internações (QUADRO 2).

DISCUSSÃO:

De acordo com o quadro 1, a mortalidade por diabetes mellitus no município de Santo Ângelo é menor quando comparada ao indicador regional da 12° CRS.  Como exposto no quadro 2, a morbidade por diabetes mellitus no município de Santo Ângelo é menor quando comparada ao indicador regional da 12° CRS. Esse dado pode estar relacionado com o grande número de municípios que compõem a 12° CRS, estes com grandes diferenças de taxas. Em ambos os casos, a análise dos indicadores foi realizada a partir de dados secundários, por isso, pode ter ocorrido alterações devido à falta de alimentação dos diversos sistemas de informação. Estes dados seriam melhor analisados em uma série histórica, possibilitando, assim, a avaliação da variação deste indicador no decorrer dos anos.

CONCLUSÃO:

A partir dos resultados, foi observado que o município de Santo Ângelo apresentou taxa de mortalidade por diabetes mellitus maior quando comparada a 12ºCRS. Porém, em relação às internações por diabetes mellitus, a 12º CRS explicitou uma taxa maior do que o município de Santo Ângelo. Os resultados deste estudo identificaram a necessidade de que ambos os objetos de estudo carecem de estratégias de educação permanente em saúde para os profissionais de saúde da rede básica e da rede hospitalar e, educação e promoção da saúde para população, principalmente na faixa etária dos 30 aos 59 anos, por ser composta de adultos economicamente ativos. Assim, possibilitaria uma redução desta patologia, gerando menos gastos para o sistema de saúde e previdenciário. Outro fator que se faz necessário é a implantação de mais equipes de estratégia de saúde da família, possibilitando, maior cobertura da atenção básica no município citado acima, pois sua cobertura no presente ano é de 35,4%. Com este intuito, o PET (Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde) Vigilância em Saúde, realizado no município de Santo Ângelo, busca promover ações interdisciplinares para com a população e serviços de saúde. A diabetes é considerada uma patologia que gera grande morbidade e mortalidade, por isso é necessário a realização de mais estudos, para comprovar se esta tendência continua a mesma, pois permitirão reavaliar as ações que estão sendo desenvolvidas e, assim melhorar a qualidade de vida dos portadores desta patologia, diminuindo assim as suas complicações.

REFERÊNCIAS:

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes Mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
2. CONHECIMENTO E PRÁTICAS DOS DIABÉTICOS ACERCA DAS MEDIDAS PREVENTIVAS PARA LESÕES DE MEMBROS INFERIORES. Revista Baiana de Saúde Pública. Disponível em: files.bvs.br/upload/S/0100-0233/2009/v33n3/a005.pdf

AUTORES:

Raquel Missio1
Bruna Riechel2
Carmem Regina Estivalete Marchionatti3
Carlos Kemper4
Tiago Bittencourt de Oliveira5

1Bolsista do PET-Saúde/Vigilância em Saúde, acadêmica de Farmácia. URI – Santo Ângelo/RS.
2Bolsista do PET-Saúde/Vigilância em Saúde, acadêmica de Enfermagem. URI – Santo Ânge-lo/RS.
3Preceptora do PET-Saúde/Vigilância em Saúde, Mestre em Saúde Coletiva. 12ª CRS/RS
4Tutor do PET-Saúde/Vigilância em Saúde, Mestre em Educação Física. URI – Santo Ângelo/RS.
5Tutor do PET-Saúde/Vigilância em Saúde Mestre em Farmácia. URI – Santo Ângelo/RS.

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