Cirurgia bariátrica e as deficiências de vitaminas e sais minerais

Dr. Reginaldo Albuquerque

  • Professor da UnB (1967-1981)
  • Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
  • Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
  • Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

A cirurgia bariátrica tornou-se o procedimento cirúrgico mais comum mais realizado no mundo inteiro, segundo dados recentemente publicados. Isto se deve à epidemia de obesidade no mundo.

As melhorias nos indicadores metabólicos também são impactantes. Melhoram o diabetes e a hiperlipidemia diminuindo assim os riscos cardiovasculares e o câncer.

Uma das preocupações dos especialistas é o seguimento pós-operatório quando várias deficiências podem ocorrer. No site do Medscape – link abaixo - o Dr. David Johnson publicou um áudio onde aborda estas questões. Basicamente estes pacientes podem apresentar as seguintes deficiências:

DEFICIÊNCIAS MACRONUTRICIONAIS

A deficiência protéica é a mais evidente delas e que pode ser severa dependendo do tipo de cirurgia que foi realizada. A cirurgia do tipo biliopancreática e a do tipo Roux em Y são as que produzem uma maior perda protéica. Nestas situações ocorre um maior crescimento das bactérias intestinais. A melhor forma de diagnosticar é dosando a albumina no sangue, mas a dosagem da pré-albumina é mais sensível.

DEFICIÊNCIA DE VITAMINAS

As vitaminas D, E, K, Tiamina, Riboflavina, Niacina, Folato e vitamina B12 não podem ser sintetizadas e precisam de um monitoramento constante. As pessoas operadas precisam ingerir estas vitaminas, elas são as vitaminas solúveis em agua. As vitaminas A,D,E, K, são solúveis nas gorduras e por isto passam a ser mal-absorvidas.

Os sintomas característicos da má absorção destas vitaminas são:


  • São sintomas visuais
  • Pele seca
  • Cabelo seco
  • Prurido

A deficiência de Vitamina D é muito comum após a realização de cirurgia bariátrica e os seus valores devem ser determinados com frequência. Medir cálcio não é suficiente, pois ele pode está normal por um longo tempo após a cirurgia. O melhor é medir 1,25 hidroxi vitamina D e uma excreção de cálcio em 24 horas.

A deficiência de vitamina E não é frequente. Quando ela ocorre aparece sintomas não usais, não específicos, tais como: ataxia, perda da sensação vibratória, fraqueza muscular e até mesmo anemia hemolítica.

A vitamina K é primariamente absorvida no jejuno e no íleo e por isto pode não ter grandes alterações, mas também deve ser seguida, pois quando está deficiente ocorrem problemas de coagulação sanguínea.

Com relação às vitaminas solúveis não esquecer da tiamina (vitamina B1). A sua deficiência pode ser catastrófica, pois pode produzir uma encefalopatia grave denominada de Wernicke que pode ser vista em alcóolatras. O crescimento das bactérias intestinais pode dificultar a reposição de tiamina fazendo necessário o tratamento com antibióticos.

A melhor dosagem de thiamina é por bioensaio e não realizada na maioria dos laboratórios. Os sintomas da deficiência de tiamina são vômitos e náuseas. Na presença destes sintomas é melhor fazer as substituições independentemente das dosagens.

As deficiências de riboflavina e niacina são raras nos pacientes que realizam cirurgias bariátricas e as manifestações são variadas. Podem ocorrer: estomatites, anemia, dermatite. Na deficiência de niacina ocorre um “rash” do tipo da pelagra. Náuseas e vômitos também ocorrem.

A deficiência do tipo folato deve ser considerada também em pacientes nas cirurgias mais extensas. Níveis elevados aumentam o crescimento bacteriano.

A deficiência de vitamina B12 comumente ocorre devido a uma acloridria que existe após o by-pass. O crescimento bacteriano pode acelerar o metabolismo da B12 e levar à sua deficiência.

MICRO ELEMENTOS

Entre eles devemos lembrar do zinco que é um antioxidante. Os sintomas são: manifestações na pele, alopecia, glossite, unhas distróficas, rashs cutâneos e acrodermatite enteropática.

O Ferro é absorvido no delgado e na primeira porção do intestino, locais que são comumente envolvidos nas cirurgias bariátricas. A deficiência de ferro é muito comum nestes tipos de cirurgias.

A deficiência de Cobre deve ser sempre pesquisada em pacientes que realizaram cirurgias bariátricas. A sua deficiência produz sintomas hematológicos e alterações nutricionais e podem aparecer após três anos da realização do procedimento.

EM CONCLUSÃO

Nos pacientes que realizaram cirurgia bariátrica pensar que cada sintoma possa ser devido a uma deficiência nutricional.

Nestes casos procurar sempre determinar os valores das vitaminas e dos microelementos descritos acima.

RECOMENDAÇÕES FINAIS:


  • Nas consultas valorizar sempre qualquer dos sintomas e sinais neurológicos como uma possível deficiência de vitaminas ou microelementos.
  • Fazer sempre reposições de vitaminas duas vezes ao dia + cálcio elementar (1.2 g) + vitamina D (800 UI). As vitaminas devem ser na forma de mastigáveis. Não devem ser usados na forma liquida ou comprimidos, pois nestas apresentações as absorções são prejudicadas devido ao by-pass.
  • A cada 6 meses monitorar as vitaminas e os microelementos. Esta recomendação é especialmente importante até 3 anos após a cirurgia.

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/875462#vp_2

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